Caso clínico: paciente com hiperemia ocular e lacrimejamento

Caso clínico: paciente com hiperemia ocular e lacrimejamento

Paciente do sexo feminino, 34 anos, advogada, solteira, vem ao consultório com quadro de olho vermelho iniciado há dois dias em olho esquerdo. Refere ter iniciado quadro de hiperemia ocular, secreção mucoaquosa, sensação de corpo estranho e lacrimejamento há dois dias. Segundo a paciente esteve “resfriada” na última semana.

Não é usuária de lente de contato. Não usa colírios. Nega cirurgias ou infecções oculares prévias. Nega doenças sistêmicas. Nega história oftalmológica família digna de nota.

Ao exame:

Acuidade visual sem correção 1.0 OD 0.9 OE ;
Biomicroscopia OE: Hiperemia conjuntival 3+/4+, secreção mucoaquosa, folículos em grande quantidade em conjuntiva tarsal inferior e superior, sem alterações corneanas (examinado com e sem instilação de fluoresceína).
Hipótese diagnóstica: conjuntivite viral.

Tratamento:

Orientações sobre contágio: não colocar a mão nos olhos, não compartilhar toalhas e fronhas, lavar bem as mãos, evitar aglomerações, cuidado ao tocar os fômites pois o vírus pode se instalar e causar infecção em outra pessoa (itens compartilhados: bancadas, maçanetas, porta de geladeira, controle remoto, etc.);
Uso de lubrificante colírio sem conservantes;
Compressas geladas para aliviar o desconforto;
Lavar os olhos pela manhã com soro fisiológico flaconete para não acumular secreção.

Paciente retorna com nove dias de evolução do quadro referindo que acha a visão mais embaçada.

Caso clínico: paciente com hiperemia ocular e lacrimejamento

caso clínico

Ao exame:

Acuidade visual sem correção 1.0 OD 0.8 OE;
Biomicroscopia OE: hiperemia 1+/4+, sem secreção, infiltrado subepitelial incluindo a região pupilar (vários pontos espalhados pela córnea).
Hipótese diagnóstica final: infiltrado adenoviral.

O infiltrado adenoviral é uma opacidade inflamatória (que não ocorre pelo vírus e sim pela reação imunológico produzida), principalmente na fase tardia da ceratoconjuntivite, podendo causar baixa acuidade visual. Pode durar semanas a meses.

O tratamento é feito com a utilização de corticoide tópico de forma regressiva. Em alguns casos onde ocorre rebote da inflamação na retirada de corticoides tópicos pode ser necessária a associação de imunossupressores. Nos pacientes em que não há regressão do infiltrado e que mantem a baixa visão pode ser necessária a ceratectomia fototerapêutica (PTK).

Autor: Juliana Rosa

Pós graduação Lato Sensu em Córnea pela UNIFESP ⦁ Especialização em lentes de contato e refração pela UNIFESP ⦁ Residência médica em Oftalmologia pela UERJ ⦁ Graduação em Medicina pela UFRJ ⦁ Contato: julianarosaoftalmologia@gmail.com

Fonte: https://pebmed.com.br

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