Como diagnosticar e tratar o líquen escleroso?

Como diagnosticar e tratar o líquen escleroso?

Durante as consultas ginecológicas, é comum encontrarmos uma paciente de qualquer idade com queixa de prurido vulvar. Nos cinco primeiros minutos, já pensamos no diagnóstico mais comum: candidíase vulvar. Muitos médicos sequer examinam pacientes com essa queixa e já prescrevem o fluconazol logo de cara. No entanto, o exame físico é sempre imprescindível para o nosso diagnóstico diferencial.

Líquen escleroso
Uma patologia que cursa com prurido vulvar é o líquen escleroso (LE). É uma condição dermatológica progressiva, benigna e crônica, caracterizada por uma inflamação acentuada da vulva, causando um afinamento do epitélio vulvar e alterações dérmicas distintas, como hipocromia e distorções de sua anatomia.

Essa doença pode ocorrer em mulheres de qualquer idade, mas tende a ter dois picos de início: meninas pré-púberes e mulheres na peri menopausa ou na pós-menopausa. Sua fisiopatologia ainda é desconhecida, porém uma vez que ela é mais comumente encontrada em mulheres com hipoestrogenismo, supõe-se que um mecanismo hormonal esteja envolvido. Fatores genéticos e autoimunes também parecem estar relacionados com a fisiopatologia da doença.

O principal sintoma do LE é o prurido vulvar, razão pela qual esta doença é frequentemente confundida com a candidíase. O prurido pode ser intenso a ponto de interferir no sono. Em algumas mulheres, em vez de prurido, o sintoma referido é de dor ou ardência local.

Mas então, quando devemos pensar em LE?
Imagine uma paciente na perimenopausa queixando prurido vulvar, já tendo sido tratada diversas vezes com fluconazol (muitas vezes sem ter sido devidamente examinada), sem melhora do quadro. O que fazer?

O primeiro passo, obviamente, é examinar a paciente. O sinal clássico do líquen escleroso é uma hipocromia vulvar progressiva, principalmente em pequenos e grandes lábios, mas podendo de estender para região perineal e perianal.

Podemos encontrar fissuras de coçadura na fúrcula vaginal, nos sulcos interlabiais e na região perineal. Em alguns casos, o ato de coçar pode causar uma liquenificação da região, com edemas dos pequenos lábios e do prepúcio. A arquitetura vulvar permanece intacta no início, mas à medida que a doença progride, pode haver apagamento parcial ou total dos pequenos lábios (a distinção entre os lábios maiores e menores é perdida) e sepultamento do clitóris.

O diagnóstico do LE é feito pelos sinais e sintomas citados acima, às vezes devendo ser confirmado histologicamente. Mas então sempre devemos realizar uma biópsia? Não. Mulheres afetadas por essa doença e que não são adequadamente tratadas têm maior risco de desenvolver carcinoma de células escamosas (CCE) da vulva. Assim, a biópsia torna-se necessária no diagnóstico e no acompanhamento de pacientes com LE apenas se surgirem placas com relevo, úlceras crônicas ou placas hipercrômicas na região vulvar.

Por ser uma doença dermatológica e inflamatória, a terapia farmacológica é feita com corticoides de alta potência, sendo o clobetasol a primeira linha. O tratamento do LE, mesmo nos casos assintomáticos, é de suma importância não somente para a melhora do prurido, mas também para evitar distorções da anatomia vulvar ou o desenvolvimento de CCE de vulva com o progredir da doença. Ou seja, o tratamento não termina quando o prurido se resolve, e a paciente deve permanecer usando o clobetasol por mais tempo, as vezes para o resto de sua vida.

Autor: Fernando Barros

Graduado em Medicina pela Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ. Médico Residente em Ginecologia e Obstetrícia na Maternidade Odete Valadares, Belo Horizonte, MG.

Referência bibliográfica:

Vulvar lichen sclerosus. Susan M Cooper, MB ChB, MRCGP, FRCP, MDStephanie J Arnold, FACD, MBBS (Hons), BSc (Hons). Uptodate.

Fonte: https://pebmed.com.br

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