Aumento de casos de puberdade precoce tem relação com a pandemia?

Aumento de casos de puberdade precoce tem relação com a pandemia?

O crescimento incomum de casos de maturação sexual antes dos oito anos foi identificado pelos pesquisadores da Universidade de Florença ao compararem o número médio de casos de puberdade precoce registrados durante o primeiro ano da pandemia com os últimos cinco anos do Departamento de Pediatria do Hospital Universitário.

Foram excluídas as causas orgânicas de puberdade precoce, como tumores ou lesões no sistema nervoso central, e descoberto um salto expressivo no número, de 17 para 49 casos no período avaliado, representando um significativo aumento de 188%. O estudo foi publicado pela revista Italian Journal of Pediatrics.

O sobrepeso e a obesidade são dois dos principais responsáveis para esse salto na puberdade precoce, como apontou o endocrinologista Wallace Miranda, membro da plataforma de saúde Doctoralia.

“O tecido gorduroso produz o hormônio leptina, que tem como funções controlar o apetite, reduzir a ingestão de alimentos e regular o gasto energético, permitindo manter o peso corporal ou não, e atuando diretamente na ativação da puberdade”, ressaltou o especialista.

Essa evidência é percebida comumente em meninas, uma vez que o aumento de peso nos meninos desencadeia um processo retardatário da puberdade.

Riscos da puberdade precoce
De forma geral, os médicos têm observado nos consultórios um adiantamento da puberdade em algumas meninas relacionado a diversos fatores, como explicou a endocrinologista pediátrica Camila Clemente Luz, que atua no Grupo Prontobaby, em entrevista ao Portal de Notícias da PEBMED.

“Pode ser o emocional, o estresse causado pela pandemia e também pelo fato das meninas terem ganhado peso. Já é bem conhecido que o excesso de gordura corporal pode levar a um adiantamento da puberdade. Além disso, tem o fato de que algumas garotas estão sendo diagnosticadas mais tarde. Elas começaram a puberdade precoce durante a pandemia e procuraram atendimento médico mais tarde”, ponderou Camila Luz.

Fatores desencadeadores e marcadores naturais
O sedentarismo, as mudanças nos hábitos alimentares e o uso excessivo de eletrônicos por conta da pandemia criaram um ambiente propício para o aumento súbito de diagnósticos da condição.

“Esses fatores de puberdade precoce, associados ao estresse e ao ganho de peso acontecem principalmente com as meninas. Já nos meninos, a puberdade precoce está geralmente associada a alguma doença orgânica, demandando uma investigação em relação à presença de imagens intracranianos é algo mais diferenciado”, alertou a endocrinologista pediátrica.

As crianças que apresentam os sinais da puberdade precoce, correm o risco de sofrer alterações no crescimento, levando à diminuição de sua estatura final, além de ter mais chances de desenvolver futuramente obesidade, hipertensão, diabetes tipo 2, infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

“Outros riscos relacionados à puberdade precoce são os transtornos psicológicos e emocionais ligados a mudanças de comportamento, provocados pelas alterações hormonais. Por isso, é interessante que os jovens tenham acesso ao acompanhamento de um psicólogo”, completou Wallace Miranda.

Diagnóstico da puberdade precoce
“O diagnóstico primeiramente é realizado a partir de uma avaliação médica. “É preciso examinar a criança clinicamente para identificar os sinais iniciais de puberdade. A partir daí, caso a puberdade esteja acontecendo fora da idade adequada ou evoluindo rápido demais, devemos solicitar exames laboratoriais. Temos que avaliar o perfil gonadal, com a dosagem de LH, e FSH, estradiol nas meninas e testosterona nos meninos. Deve-se incluir nessa avaliação radiográfica da idade óssea para checar a velocidade de evolução da idade óssea. Quando suspeitamos de alguma doença orgânica, pedimos também uma ressonância magnética de sela. Este exame é mandatório para avaliar casos de meninos com suspeita de puberdade precoce”, destacou a endocrinologista pediátrica do Grupo Prontobaby.

Como desacelerar o processo
“Cada quadro será avaliado individualmente, mas costumamos trabalhar com um tratamento muito comum, com medicamentos que atuam no bloqueio no eixo da hipófise e do hipotálamo, responsáveis pela produção e liberação de hormônios, adiando a puberdade para um momento mais apropriado para a criança”, explicou o endocrinologista.

O tratamento é realizado com o bloqueio da puberdade com uma medicação chamada leuprorrelina, que é injetável e aplicada a cada 28 dias. Ela é indicada para puberdade precoce ou quando a puberdade é progressiva, começa na idade limítrofe e evolui muito rápido.

“Os médicos precisam estar atentos a esses sinais de puberdade precoce e acompanhar. Não necessariamente a criança que teve uma primeira avaliação normal vai evoluir como a gente espera. Precisamos avaliar se a puberdade vai ser normal ou progredir rapidamente O papel do médico é fazer a avaliação inicial e manter o seguimento durante a puberdade. Caso tenha alteração, o pediatra deve encaminhar ao endocrinologista pediátrico para avaliação e tratamento adequado”, finalizou Camila Luz.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Fonte: https://pebmed.com.br/

Venda e Aluguel de Produtos Médicos, Hospitalares, Fisioterapêuticos e Odontologia, é na Companhia do Médico, clique aqui e confira nossos produtos e serviços.