Em ratos, droga estudada contra câncer bloqueia variantes do Sars-CoV-2

Em ratos, droga estudada contra câncer bloqueia variantes do Sars-CoV-2
À esquerda, células do pulmão infectadas com Sars-CoV-2 (em amarelo). À direita, as células tratadas com diABZI (Foto: Reprodução/Penn Medicine News)

Ao lado de vacinas e medidas como isolamento social e uso de máscaras, os estudos de medicamentos capazes de combater a Covid-19 também são importantes para conter a pandemia. Por isso, cientistas do mundo inteiro estão empenhados em realizar testes com substâncias que possam inibir o coronavírus — e, em maio, uma pesquisa norte-americana trouxe resultados que parecem ser promissores.

Publicado na revista Science Immunology, o trabalho da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, revela que a droga diABZI foi altamente eficaz em evitar quadros graves de Covid-19 em camundongos infectados pelo Sars-CoV-2.

O diABZI, explicam os pesquisadores, é uma pequena molécula agonista de STING (estimulador de genes de Interferon). Isso significa que a droga é capaz de se ligar a um receptor celular e ativá-lo para produzir uma reação biológica.

O mecanismo é importante porque, quando o Sars-CoV-2 entra no corpo humano, o vírus ataca as células epiteliais do trato respiratório, mas consegue se esconder. Diante da dificuldade de reconhecer o patógeno de imediato, a resposta imune do organismo é tardia.

A partir dessa observação, os pesquisadores consideraram que seria possível identificar drogas (ou moléculas com propriedades semelhantes) que desencadeiam essa reação do sistema imunológico nas células respiratórias mais cedo, prevenindo infecções severas por Sars-CoV-2.

“Esse é o primeiro artigo a mostrar que ativar uma resposta imunológica antecipada por meio de terapia com apenas uma dose é uma estratégia promissora para controlar o vírus, incluindo a variante sul-africana B.1.351”, afirma, em nota, a pesquisadora Sara Cherry, professora na Universidade da Pensilvânia.

A eficácia do diABZI foi testada em ratos infectados pelo coronavírus e, como a molécula precisa chegar até o pulmão, ela foi administrada por via nasal. Na comparação com os camundongos que não receberam nenhum medicamento, os animais tratados com a droga apresentaram menos perda de peso, redução das cargas virais em pulmões e narinas e maior produção de citocinas.

Os resultados indicam que o diABZI estimula os interferons (proteínas com alta atividade antiviral) e contribui para a imunidade, potencialmente prevenindo sintomas graves causados pelo Sars-CoV-2 e suas variantes.

Atualmente utilizada em testes clínicos para tratamento de câncer, a droga ainda não tem aprovação da Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador de medicamentos nos Estados Unidos.

Apesar disso, os pesquisadores acreditam que a descoberta é promissora e que o diABZI pode servir contra outros vírus respiratórios. “Agora estamos testando esse agonista de STING em muitos outros vírus”, observa Cherry. “É realmente importante lembrar que o Sars-CoV-2 não será o último coronavírus do qual precisaremos nos proteger”, conclui.

Fonte: https://revistagalileu.globo.com/

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